Hospital Regional da Transamazônica é referência para partos de alto risco na região do Xingu

A gravidez é um momento de cuidado e atenção com mãe e bebê. Nesse período, toda gravidez apresenta perigos em potencial e, em alguns casos, tanto a saúde materna quanto a infantil podem ser prejudicadas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mulheres morrem por dia no mundo, por causas que poderiam ser evitadas relacionadas à gravidez e ao parto.

Referência para mais de 500 mil pessoas nos nove municípios da região do Xingu, o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, pertence ao Governo do Pará e é gerenciada pela Pró-Saúde. A unidade é a única a oferecer o serviço de partos de alto risco gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

De acordo com Marcio Portes, médico pediatra com atuação no HRPT, assim que a gravidez é descoberta, é essencial que profissionais da ginecologia ou obstetrícia sejam procurados. Desta forma, a gestante pode ser acompanhada por meio do pré-natal.

Quando a grávida inicia o pré-natal em uma unidade básica de saúde, ela passa por diversas avaliações médicas. Se for diagnosticada com alto risco durante a gestação, a paciente é encaminhada, por meio da central de regulação do município de origem, para o Regional da Transamazônica, onde o quadro clínico é avaliado com exames e consultas.

“A qualidade da saúde da mãe vai interferir diretamente na saúde do filho. Se ela está saudável, o bebê também está. Mas, por outro lado, se a grávida apresenta algum problema de saúde, possivelmente passará para o bebê”, alerta o médico.

Partos prematuros

Segundo o estudo do Ministério da Saúde, mais de 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos no Brasil. Em 2021, o Regional da Transamazônica realizou 29 partos de alto risco, totalizando o nascimento de 33 bebês. Desse total, 18 nasceram prematuros, ou seja, antes do período de 37 semanas.

Ainda de acordo com o estudo assinado por cientistas da Secretaria de Vigilância em Saúde, o índice de mortalidade brasileiro é de aproximadamente 11%. No Regional da Transamazônica, a taxa de natimortos – morte de um feto após 20 semanas de gestação -, representa 10%, ou seja, está abaixo da média brasileira.

Para o pediatra, o não acompanhamento do pré-natal e mães cada vez mais jovens (com menos de 18 anos), podem ser os motivos de tantos nascimentos prematuros.

“Temos percebido muitos casos de sífilis congênita, que é uma infecção sexualmente transmissível e que pode passar para o bebê por via placentária. Essa grave infecção também pode resultar no nascimento prematuro, má formação e até mesmo o aborto”, explica.

Caso o bebê não seja tratado, ele pode desenvolver déficits neuropsicomotores, como deficiência mental, problemas ósseos, ferimentos na pele, cegueira, entre outros.

Prevenção

Para evitar problemas de saúde durante a gravidez, é imprescindível que a gestante realize o acompanhamento. Além do pré-natal e consultas periódicas, outros cuidados importantes como, alimentação saudável e equilibrada, evitar o uso de bebidas alcoólicas e consumo de cigarro. “Se esse acompanhamento não for feito, quem se torna o maior prejudicado é o bebê”, finaliza o médico.

Encontro de prematuros

Anualmente, no mês de novembro, o Regional da Transamazônica realiza o Encontro de Prematuros, evento que tem como objetivo orientar os pais que estão acompanhando os filhos prematuros internados na unidade. A ação também conta com a participação de mães que já passaram pela experiência no hospital.

Tradição no hospital, o evento é promovido pelo Grupo de Atenção Multidisciplinar Materno Infantil (GAMMI) e o Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), com o intuito de sensibilizar em relação à causa e disseminar a cultura de cuidados adequados às crianças que nascem antes do tempo.

O Regional Público da Transamazônica é o único hospital na região do Xingu que possui cinco leitos de Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, cinco de UTI Infantil e quatro de berçário de alto risco. Além disso, a unidade fomenta constantemente o diálogo sobre a assistência em ações humanizadas.