Especialista do Hospital Regional da Transamazônica alerta sobre o diagnóstico precoce de doenças neurológicas em crianças

Neste mês, a unidade passou a ser referência em neuropediatria para a região de integração do Xingu, com a oferta de consultas e exames

O crescimento de uma criança deve ser acompanhado pela família, escola e profissionais da saúde. Durante o período de desenvolvimento, é comum que elas apresentem alguma dificuldade para realizar tarefas, como ler ou escrever. Entretanto, é preciso atenção, pois alguns fatores podem indicar dificuldades neurológicas e doenças mais complexas.

Atenta a esta demanda, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), passou a ofertar atendimentos de neuropediatria no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira. Trata-se de um ramo específico da neurologia, que se dedica ao estudo das doenças do desenvolvimento e maturação do sistema nervoso.

Luciano Moreira, neurologista infantil do HRPT, unidade gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde e referência em atendimentos de média e alta complexidades na região de integração do Xingu, explica que o primeiro passo para detectar se realmente existe um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança é realizar uma avaliação.

“Fazemos uma triagem inicial para investigação de condições neurológicas que podem limitar o desenvolvimento da criança, como algumas doenças neuromusculares do neurodesenvolvimento e formas de epilepsia”, explica o médico.

Durante a avaliação, o médico realiza perguntas específicas sobre o comportamento, interação social, interesses e outras manifestações.

“Quanto mais cedo uma criança for diagnosticada com algum distúrbio neurológico, mais rápido podemos trabalhar para que ela tenha uma melhor qualidade de vida”, destaca o neuropediatra. “Então, precisamos chamar a atenção da família e da sociedade para ficarem atentos ao desenvolvimento das crianças”, complementa.

Autismo, TDAH e TOD

De acordo com o neuropediatra, o autismo, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), são transtornos diferentes relacionados ao neurodesenvolvimento, mas que podem se sobrepor, resultando em dificuldades cognitivas, sociais e emocionais.

“Como podem ter sintomas parecidos, é preciso conhecer as características de cada uma desses quadros, para poder reconhecê-los e diferenciá-los”, enfatiza o médico.

O autismo é um transtorno caracterizado por problemas na linguagem, comunicação social e comportamento. Essas alterações também podem gerar padrões repetitivos e interesses restritos.

O diagnóstico do autismo, de acordo com o profissional, é essencialmente clínico e realizado por meio de uma observação direta do comportamento e de uma entrevista com os responsáveis durante a consulta. Por vezes, pode ser necessário a realização de exames.

No caso de TDAH, trata-se de um transtorno dividido em três tipos: hiperativo-impulsivo, desatento ou a combinação dos dois. Os principais sintomas são dificuldade de concentração, inquietação e hiperatividade.

Já o TOD é um transtorno identificado por um comportamento provocador, desobediente ou perturbador e, por vezes, vingativo.

Atendimentos

Desde o início dos atendimentos no Hospital Regional Público da Transamazônica, no último dia 18, 150 crianças já passaram em consulta ambulatorial, entre elas, Lucas Torres, de apenas 6 anos.

De acordo com Soreya Torres, mãe do paciente, o pequeno nasceu com disgenesia do corpo caloso, uma má formação no cérebro que pode apresentar um quadro clínico variado, como atraso psicomotor, dificuldades de interação social e transtornos de aprendizagem.

“O Lucas nasceu assim, então, precisávamos ir para Belém para que ele fosse consultado. Na consulta do Regional, o médico foi atencioso, fez diversas perguntas sobre o desenvolvimento dele e foi muito paciente durante a avaliação”, afirma Soreya, que agora realiza o acompanhamento do pequeno no HRPT.

Outro paciente que também recebeu atendimento esta semana foi Arthur Lima, de 11 anos. Segundo a mãe, Cleonice Lima, desde os primeiros anos de vida, Arthur apresentava dificuldade para realizar tarefas, repetia frases que eram faladas por ela e empilhava ou enfileirava brinquedos.

“Eu já havia percebido esses sintomas dele, e a escola também me alertou. Estava em busca de atendimento e quando recebi a ligação da secretaria de saúde falando que o Regional passaria a atender essa especialidade, fiquei feliz! Logo marcaram a consulta e hoje já estamos aqui”, celebrou Cleonice.

O agendamento para as consultas ambulatoriais na especialidade de neuropediatria no Regional da Transamazônica é realizado mediante solicitação na Central de Regulação do município de origem. A unidade, reconhecida nacionalmente entre os melhores hospitais públicos do Brasil, possui a certificação ONA 3 Acreditado com Excelência, concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), reconhecimento que atesta a qualidade dos serviços prestados à população no interior do Pará.