Hospital Regional de Altamira orienta sobre prevenção da doença renal nesta sexta-feira, 10/3

Referência para nove municípios da região integrada do Xingu/Transamazônica, o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira (PA), é a única unidade que oferece o serviço de hemodiálise pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região. Nilson Cavalheiro Samuelsson, de 59 anos, é um dos 94 pacientes que recebe o atendimento na instituição. Ele descobriu a doença há um ano e meio e, desde então, utiliza a máquina de hemodiálise três vezes por semana.

O comerciante confessa que, antes do diagnóstico, mesmo sofrendo de diabetes e hipertensão arterial, não fazia controle da alimentação. Com frequência, exagerava no consumo de sal e açúcar. A falta de cuidado gerou uma série de complicações, uma delas a insuficiência renal. “A falta de informação me tornou um renal crônico. Se eu tivesse acesso às causas, quem sabe, eu não estaria aqui, numa máquina de hemodiálise”, comentou, com lágrimas nos olhos, o paciente que está na lista de espera para receber novos rins.

Para alertar a população sobre a relação da alimentação com a doença renal e, assim, contribuir para prevenir o problema, o Hospital Regional de Altamira realizará a campanha “Saúde dos rins: escolhas certas, vida saudável” nesta sexta-feira, 10/3, a partir das 8h30, no pátio da unidade. Durante a programação, a comunidade terá acesso a serviços como orientações com médico e nutricionista, palestras educativas, aferição de pressão arterial, teste de glicemia e cálculo de índice de massa corporal (IMC). A iniciativa é alusiva ao Dia Mundial do Rim, celebrado no dia 9/3.

Segundo o nefrologista do HRPT, Eduardo Anjos, os exames de glicemia e verificação de pressão permitem identificar pessoas com risco de desenvolver a doença. “Pessoas acima do peso, mas, especialmente, pessoas com obesidade, têm maior risco de desenvolver a hipertensão, principal causa da doença renal no País, e em segundo lugar, o diabetes mellitus. Sedentários e fumantes também estão propícios ao problema”, explica o médico. Eduardo Anjos afirma que a doença pode ser evitada com medidas como prática regular de exercícios, alimentação saudável, ingestão diária de, pelo menos, dois litros de água, e uso de medicamentos somente com prescrição médica.

No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), uma a cada dez pessoas sofre de falência dos rins. A doença inibe a capacidade dos rins de filtrarem as impurezas do sangue, como resíduos, sais e líquidos. Dependendo da gravidade do caso, o paciente necessita fazer hemodiálise, procedimento no qual uma máquina executa a função do órgão, filtrando o sangue e devolvendo-o limpo ao corpo.

Os principais sintomas da insuficiência renal são: pressão alta; inchaço ao redor dos olhos e nas pernas; fraqueza constante; náuseas e vômitos frequentes; dificuldade de urinar; queimação ou dor quando urina; urinar muitas vezes, principalmente à noite; urina com aspecto sanguinolento ou com presença de espuma; dor lombar e histórico de pedras nos rins.

Restrições e acompanhamento

A doença renal impõe ao paciente uma série de limitações, especialmente quanto à alimentação, que precisa de controle permanente. Na lista das restrições está o consumo de alimentos industrializados e com conservantes, como carne enlatada, conservas, mortadela, presunto, queijos defumados, refrigerantes e bebida alcoólica. Além disso, é necessário controlar a ingestão de carne bovina, para evitar a elevada quantidade de fósforo e proteína, e obedecer ao limite diário de ingestão de líquido, que, em média, é de 600 ml.

No caso dos pacientes atendidos pelo Hospital Regional Público da Transamazônica, gerenciado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), desde o ano passado, a unidade desenvolve o projeto “Medida Caseira dos Alimentos”. A iniciativa é coordenada pelo Serviço de Nutrição e Dietética, que faz o monitoramento e controle da ingestão dos alimentos e bebidas pelos usuários, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida deles, reduzindo o número de internações e, consequentemente, o de óbitos.

A proposta é deixar a alimentação mais próxima da realidade dos usuários, inclusive os que fazem hemodiálise, e, ao mesmo tempo, reduzir o acúmulo de toxinas que normalmente seriam eliminadas pelos rins, mas acabam ficando retidas por conta da perda da capacidade de filtrá-las no próprio organismo. Isso contribui para evitar problemas como a retenção de líquido, que pode causar edema pulmonar agudo ou outro agravo, levando o paciente a morte.