Como lidar com a saudade durante o isolamento social

Psicóloga da Pró-Saúde orienta e apresenta dicas para amenizar a falta de familiares e amigos no período de isolamento pela Covid-19.

Passagem comprada, passeios agendados e a ansiedade para abraçar os entes queridos e os amigos. Parecia que estava tudo certo para a chegada de mais um feriado. Mas, no meio do caminho, havia algo inesperado: uma pandemia. A partir de então, tudo isso precisou esperar, e um sentimento ganhou uma dimensão ainda maior: a saudade!

Com a chegada da Covid-19 no Brasil, o isolamento social e o distanciamento começam a apresentar seus efeitos. Apesar da saudade não ser algo clinicamente sério, incomoda bastante. Então, como podemos “tratá-la”?

Para isso, a psicóloga Paula Costa, profissional com atuação pela Pró-Saúde no Hospital Regional Público da Transamazônica, em Altamira (PA), dá dicas importantes que podem ajudar a amenizar esse sentimento e confortar aqueles que estão passando por essa situação.

Saúde mental x isolamento

Com um mês de isolamento, é perceptível o aumento da saudade. Com isso, Paula explica que as pessoas podem apresentar sintomas físicos e comportamentais neste momento de pandemia. Segundo ela, além de aguçar sentimentos, o isolamento pode desencadear problemas relacionados à saúde mental, como a ansiedade. “Um dos principais sintomas é a taquicardia. O conhecido “aperto no peito”, o vazio que também pode vir acompanhado de algum sintoma físico”, alerta.

A profissional dá exemplos de ocupações que podem ajudar nesse momento, como atividade física em casa, o consumo de uma alimentação saudável e a criação de uma rotina, aliada à tecnologia, conseguem amenizar a saudade e “aproximar” quem está longe.

A assessora jurídica Thayane Tuma, em Altamira, no Pará, é uma das centenas de pessoas que encontrou na tecnologia uma forma de “matar” a saudade dos entes queridos e amigos. Natural de Belém, ela viajava com frequência para visitar a família na capital paraense. Mas, depois da expansão da pandemia no estado, a advogada precisou recorrer aos aplicativos de mensagens para estreitar os laços.

“Sinto falta de estar ao lado da minha família, já que vivo longe deles em outra cidade, devido ao meu trabalho. Não poder viajar para vê-los e não poder estar com eles dói muito, ainda mais sem ter previsão de quando poderemos nos ver novamente, em virtude da pandemia”, desabafa a advogada.

No entanto, Thayane reconhece a importância do isolamento social e almeja que o período passe o quanto antes. “Sabemos que o momento é delicado e que precisamos nos resguardar e proteger a nós e a nossa família. Então, nesse momento, o único alívio para a saudade são as ligações e mensagens que trocamos todos os dias. Estou contando os dias para vê-los pessoalmente e poder abraçá-los com todo meu amor”, deseja.

Saudade antes e a saudade hoje

Segundo a psicóloga, pode-se dizer que antes da pandemia a saudade tinha uma definição, e hoje, durante ela, esse sentimento apresenta “novas” características. “Antes, quando sentíamos saudade ou a falta de alguém, podíamos encontrar essa pessoa, abraçar, beijar, ficar perto. Hoje, com o impedimento do contato físico, nós ainda estamos nos adaptando em como fazer isso. Neste momento, a tecnologia se torna uma aliada”, conta.

Paula alerta a respeito das fake news, ou notícias falsas, que circulam principalmente nas redes sociais. Segundo ela, o excesso desse material é prejudicial e pode desencadear ansiedade ou medo. “As pessoas podem cair na armadilha da hiperinformação, o que pode acabar trazendo angústia de forma exagerada”, explica.

A psicóloga aconselha a utilizar a tecnologia a seu favor, como realizar chamadas de vídeo com a família e amigos, ou ainda, usar o celular como uma ferramenta de estudos ou entretenimento. “Lembrando que não podemos ficar fissurados ao uso da tecnologia, mas usar de forma positiva”, recomenda.

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade.

Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente, realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 24 cidades de 12 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.