Projeto promove acolhimento para mães com crianças internadas no HRPT

Feltro, papel, fitas, entre outros materiais recicláveis. Tudo vira artesanato após passar pelas mãos de quem enfrenta um momento difícil: as mães das crianças internadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica e na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), gerenciado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Elas confeccionam chaveiros, canetas e enfeitam latas usadas como itens de decoração, durante a oficina terapêutica, realizada em parceria pelas áreas de Psicologia e Terapia Ocupacional.

Duas vezes por semana, durante uma hora, essas mães se reúnem na sala de espera para participar da atividade em grupo, para uma troca de experiências. “São quadros clínicos diferentes de cada uma das crianças, com períodos variados de internação. E elas estão aqui para fortalecerem umas às outras, desenvolverem empatia e melhorar de alguma forma esse processo”, destaca a terapeuta ocupacional Rafaela Rizzi.

Hulda Aurijane Pereira de Nazaré é moradora de Porto de Moz, um dos nove municípios de abrangência do HRPT. Ela está acompanhando a filha, de 5 anos, que faz tratamento contra pneumonia. Hulda capricha no coração de feltro que está confeccionando. Usa várias cores e outros itens para deixar a peça ainda mais bonita. Uma forma de ocupar a mente. “Quando estamos nessa situação, com os filhos internados, precisamos muito de um apoio. Tem muita mãezinha de primeira viagem que não sabe como agir, tem medo de perder seus filhos e fica naquela ansiedade. Então essa oficina é muito boa para nos fazer pensar em algo melhor”, acredita.

O projeto existe há um ano no HRPT, em Altamira (PA), e já atendeu 43 mulheres. Para a psicóloga Kaillym Torres, iniciativas como essa ajudam a promover uma atitude mais positiva. “A internação hospitalar de uma criança ou de um recém-nascido traz um sofrimento emocional para a mãe. Então, a oficina terapêutica proporciona uma forma mais leve de superar esse período e o processo de adoecimento. É um tempo de acolhimento psicológico e promoção de bem-estar emocional”, afirma.

Carinho e cuidado

As participantes da oficina terapêutica produzem itens tanto para uso pessoal quanto para uso coletivo. “Hoje, por exemplo, estamos produzindo brindes que serão fornecidos em outra oficina. Essas mães estão doando tempo, cuidado e carinho. Mesmo em uma situação de fragilidade, elas estão fazendo o bem para o próximo. Além disso, também produzem para presentear as pessoas pelas quais desenvolveram afeto dentro do hospital”, ressalta a terapeuta.

Hulda Aurijane se sente fortalecida nesses momentos. “Estou fazendo com muito amor e carinho para distribuir para outras pessoas que estão precisando disso. Quando recebo algo, pode ser pequenino, mas que é uma lembrança dada de coração, fico feliz, então acredito que quem receber também ficará”, argumenta.